O Movimento
Quilombola
Atenção: este é um
trabalho de ficção.
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O brilho do general negro Ganga Zumba,
na guerra contra a Santa Aliança impulsionou a causa abolicionista. O movimento
de desobediência civil encabeçado pelo líder negro Zumbi, apoiado pelo poder
econômico das cooperativas tupi-guaranis (que desejavam substituir a
mão-de-obra escrava não só por razões éticas, mas também para
ampliar o mercado para suas novas máquinas) organizasse uma série de
greves e fugas em massa e fundasse em Palmares uma grande cooperativa
organizada em moldes semelhantes ao das indígenas
Nas décadas seguintes, Palmares serviu de modelo para muitas
outras cooperativas afro-brasileiras que surgiram por todo o Nordeste, ao longo
da bacia do São Francisco e nas Minas Gerais do Sul e do Norte. A Igreja
Ecumênica, inicialmente dividida sobre a questão, decide na Conferência de 1686,
após brilhante e inspirado sermão de D. Antônio Vieira, colocar-se totalmente
do lado dos escravos rebelados e encabeçar a campanha abolicionista nas
cidades.
Em 1695, a aristocracia foi obrigada a capitular e abolir
totalmente a escravidão e o tráfico de escravos em todos os domínios imperiais.
O Movimento Quilombola fundado por Zumbi em Palmares – que continua sendo a
capital do movimento – tornou-se um poderoso movimento político e seus líderes
juraram promover a liberdade e a igualdade não só no Brasil, como em todo o
mundo.
Nas áreas rurais do Império, orientou e organizou, nas
terras ocupadas durante a revolta e em outras cedidas pelo governo imperial, a
formação de cooperativas organizadas de forma mais flexível e democrática que o
tradicional mutirão tupi-guarani, procurando se aproximar de um ideal
anarquista, que ficaram conhecidas como quilombos,
nome originalmente dado aos acampamentos de escravos fugidos. Essas
cooperativas surgiram principalmente no interior de Santa Cruz, na Serra do
Mar, no leste do Grão-Pará e nas Minas Gerais do Sul e do Norte.
A produção agrícola dos quilombos rurais não é tão grande
quanto a dos mutirões, que possuem terras mais
extensas e de melhor qualidade, mas possuem um controle mais completo sobre a
comercialização de seus produtos, porque evitam recorrer à intermediação dos
comerciantes. Proporcionam, a seus membros, um padrão de vida bastante
satisfatório.
Não são suficientes, porém, para ocupar toda a mão-de-obra
dos libertos. Nas cidades, o movimento criou associações de trabalhadores que
ficaram conhecidas como quilombos urbanos.
Produzem e vendem serviços e artigos de artesanato e negociam salários e
condições de trabalho com as companhias que empreguem seus membros. Funcionam
como cooperativas habitacionais e de consumo e ainda proporcionam a seus
membros educação, assistência médica, lazer, previdência social e uma cultura própria, igualitária e libertária, cujo maior
símbolo é a capoeira.
Tanto os quilombos rurais quanto os urbanos logo atraíram
não só os ex-escravos africanos e seus descendentes, como também alguns
indígenas e novos imigrantes africanos, asiáticos e europeus – principalmente
os membros da diáspora castelhana – em busca de melhores condições de vida e de
trabalho. Os jovens quilombolas são hoje mais freqüentemente mestiços do que
descendentes puros de africanos.
Militantes quilombolas propagaram o movimento também para
outras partes do Império: Paraná, África, Ásia e até Portugal. Seus agitadores
mais ousados têm também ajudado a organizar a fuga de escravos na Colômbia do
Norte, Nova Holanda e Madagascar e sindicatos de trabalhadores
nos Impérios Romano-Francês, Sino-Japonês, Méxica e Inca, operando como
uma poderosa força revolucionária internacional.
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O movimento quilombola tem proporcionado saúde, educação, bem-estar
e poder a descendentes dos antigos escravos e aos que a eles se uniram |
No Império Luso-Brasileiro, o Partido
Quilombola defende a abolição da monarquia, da nobreza e da propriedade privada
da terra e do capital, bem como a reorganização de toda a sociedade de acordo
com os modelos oferecidos pelos quilombos rurais e urbanos. Apesar do seu
radicalismo, sua legalidade não tem sido contestada, nem seu direito de exercer
o governo local onde se torna majoritário.
O maior reduto do movimento e de seu Partido é Santa Cruz.
De fato, são hoje donos do poder político na maior parte deste vice-reino, onde
formaram a maioria das Cortes, criaram impostos sobre bens pessoais, e tornaram
obrigatórias as férias de 30 dias e um salário mínimo de 4$000
(o mais alto do Império). Em Palmares, Salvador e outros importantes municípios,
promulgaram leis que desapropriaram terras e imóveis da nobreza, promoveram a
reforma agrária e urbana, combateram a prostituição e regulamentaram o
comércio.
O movimento quilombola respeita a Igreja Ecumênica, que colaborou ativamente na abolição da escravidão.
Muitos de seus membros pertencem a ela, principalmente através de seus ritos
afro-brasileiros. Há, porém, os que pertencem a outras religiões
e uma crescente minoria rejeita todas as religiões em nome da completa liberdade
de pensamento.